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El Estado y el Texto / O Estado e o Texto

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español -  Es el texto el enemigo del Estado. ¡No, por supuesto que no! El estado está en función del Texto, el Estado es para sostener el Texto, es por eso que en contrapartida para ayudar a la energía, el Texto debe ser leve, recordemos que estamos hablando de estructuras energéticas, espirituales y mentales, tejiendo sus tramados  en el aire. El Estado es la estructura, los puntos de apoyo, físicos, energéticos y respiratorios en armonía de una forma activa e intuitiva. Al Estado también se llega por la repetición. Para eso está la partitura, en la que el texto es nada más que una acción física, tal vez el mejor tratado sobre esto sea el capítulo  llamado Atletismo Afectivo de " El  Teatro y su Doble " de Antonin Artaud. português -  O Texto é o inimigo do Estado? Não, é obvio que não! O Estado está en función do Texto, o Estado é para sustentar o Texto, é por isso que em contrapartida, para ayudar a energia, o texto deve ser leve. Sempre lembremos ...

Então, o que é essa tal espontaneidade?

Por Mariana Muniz - Professora da Graduação e da Pós-Graduação do Curso de Teatro da EBA/UFMG e Diretora da LPI-BH e do Match de Improvisação (BH/MG) Falar de improvisação é, necessariamente, falar de espontaneidade. Termo complexo de entender, pois está intimamente vinculado a idéias abstratas como talento, criatividade e originalidade. Para o improvisador, e também para o ator, músico, bailarino, escritor, ou qualquer outro artista, a espontaneidade é uma ferramenta concreta e de uso diário. Mas a espontaneidade não é um comportamento exclusivo do artista, mas sim de todo e qualquer ser-humano. Restaria perguntar se os animais também são espontâneos ou só instintivos, mas essa é uma discussão que foge do nosso tema agora. Mas, afinal de contas, o que é essa tal espontaneidade? A espontaneidade está relacionada à reação, ou seja, é uma ação que responde a uma ação anterior. Em resumidas palavras, a espontaneidade é uma resposta a um estímulo de qualquer natureza. Mas não necessariam...
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Fonte Mundo Quino Editora Lumen

SONHO

por Pedro Gondim Hoje estou me sentindo bem, como a muito não me sentia. O motivo?!: depois de longa data voltei a sonhar! Não falo aqui do sonho acordado, dessas espécies de projeções esperançosas que fazemos sobre o nosso próprio futuro e o futuro dos outros (os desse tipo são irrelevantes e simplórios, e mesmo as almas mais melancólicas e os mais soturnos tipos conseguem efetivá-los naqueles breves momentos em que se esquecem da solitária sina que é estar vivo). A propósito, não acho que os deste tipo deveriam ter o mesmo nome daqueles outros sonhos (esses sim os verdadeiros) que sonhamos quando estamos adormecidos. Um ato tão nobre, selvagem e inconseqüente não poderia nunca se confundir com as respostas mesquinhas que quase sempre ouvimos quando alguém se depara com perguntas como “e quais são os seus sonhos?”.Mulheres que amamos e sequer conhecemos, lugares que não sabemos onde ficam, amigos verdadeiros e amigos imaginários, tudo isso misturado e acontecendo ao mesmo tempo. A alm...

ISSO NÃO É TEATRO

por Germán Milich "Os homens criados pelos deuses foram dotados de inteligência; olharam e, naquele momento, sua vista se estendeu e conseguiram ver e conhecer tudo o que há no mundo… Grande era a sua sabedoria; sua visão chegava até os bosques, as rochas, os lagos, os mares, as montanhas e os vales... eles agradeceram, mas o Criador e o Formador não ouviram com prazer.– Não está bem o que dizem nossas criaturas, nossas obras; sabem de tudo: do grande e do pequeno –disseram.– O que faremos com eles? Que sua vista só alcance o que está perto, que só vejam um pouco da face da terra! Refreemos seus desejos, pois não está bem o que vemos. Por ventura eles vão se igualar a nós, seus criadores, que podemos abarcar grandes distâncias, que sabemos e vemos tudo?Isto disseram o Coração do Céu, Furacão, Chipi-Caculha, Raxá-Caculhá, Tepeu, Gucumatz, os Progenitores, Ixpiyacoc, Ixmucané, o Criador e o Formador. Assim falaram e em seguida mudaram a natureza de suas obras, de suas criaturas.Entã...

SOBRE A CRIAÇÃO?

Por Débora Vieira - atriz e improvisadora da LPI-BH Bem, quando deus me criou, primeiro ele fez um cérebro. Instantes depois fez uma bunda. Aí ele se esqueceu de mim; o cérebro e a bunda foram crescendo, crescendo e não demorou muito para que desenvolvessem uma autonomia sobre o que ainda estava por vir: a predisposição para conhecer, para amar e para a eterna necessidade de perdoar. Assim veio o coração. Por fim, vieram os intestinos, que talvez por isso sejam os que menos funcionem em todo o corpo, justamente por estarem sempre correndo atrás do prejuízo... jogo demorado pros meus intestinos quase todos os dias (semanas, a bem da verdade). Hoje sou assim: um cérebro eficiente, quase precoce, uma bunda que redunda e um intestino inconstante: péssima genealogia para alguém que quer fazer da improvisação uma profissão. Por quê? Porque na improvisação as coisas funcionam melhor quando funcionam juntas: quando não há uma distância temporal significativa entre o pensar e o agir. Não se tra...

Capitulo III - Eva

por Germán Milich Voz em off – Adão insistiu tanto, que finalmente Deus desceu para falar com ele... Deus – O que foi, Adão? Adão - Estou me sentindo um pouco estranho. Acho que não vai dar certo esse negócio de eu viver aqui. Deus - Você quer mais terra? Adão – Sei lá, nem sei direto o que quero. Aqui... Você mora sozinho? Deus – Sim... Adão – Onde você mora? Deus – Em todas as partes... Adão – Me enrola não, se você não quer que eu conheça sua casa e seus amigos, pode me falar... Deus – Adão, cuidado com tuas palavras que eu posso desencadear minha ira sobre você e... Adão – (Desafiante) Você é grande, mas não é dois. Deus – (Severo) Adão mais uma palavra e você some da face da terra. Adão – (Começa a chorar) Deus – Calma, Adão, não quis dizer isso, calma... O que é que houve pra você ficar assim? Adão – É que você anda sempre com seus amigos lá no mato proibido e eu aqui sozinho, sem ninguém para trocar uma idéia. Deus – Então é isso! O que você quer que eu faça? Adão ...
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Desenho de Quino criador da famosíssima Mafalda tirado do livro Mundo Quino da Editora Lumen

DESDICIONÁRIO TEATRAL

por Débora Vieira(Obs.: não recomendado aos que sofrem de falta de humor crônica) Teatro de Grupo: expr. subs. masc.: 1- Grupo de amigos que, após terem feito uma oficina de iniciação teatral juntos, decidem se unir para pesquisar algo novo, diferente, insólito, inusitado, único, mediúnico etc. etc. como, por exemplo, a invenção da roda ou a descoberta do fogo. Teatro de Pesquisa: expr. subs.masc: Modalidade de criação teatral – muito praticada pelos adeptos do “teatro de grupo” - em que se fala mais do que se ensaia. Processo Colaborativo: expr. subs. masc.: Coincidentemente outra modalidade também muito praticada pelos adeptos do “teatro de grupo” em que o diretor finge, pelo tempo que conseguir, não ser o diretor. O mesmo pode acontecer com o dramaturgo, com o iluminador... Todos querem ser tudo, independente de terem sua função reconhecida pelo SATED. Teatro de Elenco: expr. subs. masc.: Modalidade de teatro em que o indivíduo-ator tem dois momentos de felicidade garantidos: qu...

Capítulo IV - O Pecado Original

por Germán Milich Voz em off – Quando Adão acordou estava sozinho novamente e com uma dor no peito... Adão – Que dor estranha; está no meu corpo, mas não sei em que parte. (olhando para o céu) Pai, deu tudo certo? Serpente – (em cima de uma árvore) Ele foi há um tempão, mas deixou um recado: é pra não mexer muito que senão a dor piora. Adão – E você sabe se vai demorar muito pra curar? Serpente – Como assim? O Velho não te falou? O cara é foda, mermo! Bicho, essa dor é pra sempre. Vai se acostumando e lembra: não mexe não que senão piora. Adão - Mas por que ele fez isso comigo? Serpente – Ué? Porque você pediu, pô. Tem que ter mais cuidado com o que deseja. Mas calma. Olha lá dormindo: é a tua outra metade. Adão – E o que é que eu faço agora? Serpente – Bom, têm muitas possibilidades. Você viu que tem um negocinho pendurado entre suas pernas que antes você não tinha, não é? Adão - É mesmo. Que maneiro! Serpente – Isso é para acalmar a dor no seu peito, encaixa perfeitamente na...

“Ai! Improvisar!” (com um sorriso no rosto) por Hortência Maia

A palavra improvisação na trajetória artística de um ator não é novidade! Improvisa-se a partir de tal texto para se construir uma cena, improvisa-se tal proposta de cena para que esta seja construída, etc. E isso não seria diferente em minhas vivências artísticas. Ok! Ela faz parte desse ofício que escolhi e é muito bem-vinda. Aí, um dia descobri que eu participaria de um espetáculo no qual a improvisação não viria como um ponta pé inicial para se construir uma cena, ou como uma aliada para facilitar a compreensão de um texto, ou para promover uma inter-relação entre os colegas de cena, enfim; neste novo espetáculo a improvisação seria o espetáculo! Hã? Ah! Ai meu Deus! Sim, foi o que eu disse (com um sorriso no rosto) ao me ver em uma proposta de teatro em que não se ensaiam cenas, não se trabalha um texto, não se tem um personagem, nele, tudo é improvisado, ali, já ao olhos do espectador é que a cena é construída! Putz! Que difícil! Também disse e pensei isso quando comecei a fazer ...

Capitulo V a expulsão (Rastos de Eduardo Galeano)

"Um casal vinha caminhando pela planície, no oriente da África, enquanto nascia a estação das chuvas. Aquela mulher e aquele homem ainda se assemelhavam bastante com os macacos, a verdade seja dita, porem já andavam erguidos e não tinham rabo. Um vulcam próximo, agora chamado Sadiman, estava jogando cinzas pela boca. A cinza guardou os passos do casal desde aquele tempo através de todos os tempos. Em baixo delas ficaram, intactos, os rastos deles. E esses pés nos dizem agora que aquela Eva e aquele Adão vinham caminhando juntos, quando em certo momento do percurso ela parou e se afastou e caminhou uns passos sozinha, depois voltou para o caminho compartilhado. Os rastos humanos mais antigos tem deixado a marca de uma dúvida.Tem passado muitos anos. A dúvida continua".

O reality Match

por Diogo Horta Noutro dia, passeando pela cidade, percebi que as pessoas no seu dia-a-dia cometem as mesmas faltas que os jogadores no “Match de Improvisação”, o objetivo dessas faltas no jogo é fazer com que este ocorra de maneira justa e agradável, além de zelar e ajudar no desenvolvimento das improvisações. Se estivéssemos em um jogo de verdade, tomaríamos várias penalizações, a primeira delas é a falta de escuta, isso porque não nos vemos, não nos escutamos, não nos olhamos, não aceitamos a presença do outro. Quando conseguimos ver o outro, é porque não o aceitamos como semelhante, só vemos o que é diferente, dissonante, estranho, e dessa forma, cometemos uma falta por imposição de personagem, pelo preconceito, por julgar as pessoas pelo que elas parecem ser, sem deixar que a própria pessoa se apresente. E nesse momento observamos o quanto gostamos de fazer um deboche, que pode até ser divertido, mas que ultrapassa os limites do respeito. E não pensem que tudo isso aconteceu apena...

Teologia 3 (Eduardo Galeano)

Errata: onde o Antigo Testamento diz o que diz, deve dizer aquilo que provavelmente seu principal protagonista me confessou: “Pena que Adão fosse tão burro. Pena que Eva fosse tão surda. E pena que eu não soube me fazer entender. Adão e Eva eram os primeiros seres humanos que nasciam de minha mão, e reconheço que tinham certos defeitos de estrutura, construção e acabamento. Eles não estavam preparados para escutar nem para pensar. E eu... bem, eu talvez não estivesse preparado para falar. Antes de Adão e Eva nunca tinha falado com ninguém. Eu tinha pronunciado belas frases, como –Faça-se a luz- mas sempre na solidão. E foi assim que naquela tarde quando encontrei Adão e Eva na hora da brisa, não fui muito eloqüente. Não tinha prática. A primeira coisa que senti foi assombro. Eles acabavam de roubar a fruta da árvore proibida, no centro do Paraíso. Adão tinha posto cara de general que acaba de entregar a espada e Eva olhava para o chão, como se contasse formigas. Mas os dois estavam in...

Eduardo Galeano e o Futebol

Uma indústria canibal O futebol, o esporte mais popular e o que melhor expressa e afirma a identidade nacional, foi submetido às leis da rentabilidade e se tornou uma verdadeira máquina de moer carne humana, sucumbindo à uniformização obrigatória promovida pela globalização. No mês de junho, um jogador da República de Camarões, Marc Vivien Foe, caiu, fulminado, no estádio de Lyon.Não foi vítima de um pontapé criminoso. Ninguém tocou nele. Foe morreu de exaustão. O ritmo da Copa das Confederações, com uma partida logo depois da outra, acabou com ele. Nenhum comunicado médico dirá que sofreu um ataque de futebol profissional, pois essa doença, fatal, não consta de manual de medicina algum. Mas a verdade é que o mais belo e popular dos esportes, aquela festa das pernas que o jogam e dos olhos que o vêem, funciona, em termos industriais, como uma máquina de moer carne humana. Copa do mundo de robôs No ano passado, houve duas copas do mundo de futebol. Numa delas jogaram os atletas de carne...

Os demônios do Demônio

por Eduardo Galeano Esta é uma modesta contribuição à guerra do Bem contra o Mal. Entre os diversos semblantes do Príncipe das Trevas, só estão os demônios que existem há muito, muito tempo, e que há séculos ou milênios continuam ativos no mundo . O Demônio é mulçumano A experiência prova que a ameaça do inferno é sempre mais eficaz que a promessa do Céu. Benditos sejam os inimigos. Dante já sabia que Maomé era terrorista. Por alguma razão o colocou em um dos círculos do inferno, condenado à pena de prisão perpétua. “O vi partido”, celebrou o poeta em A Divina Comédia, “desde a barba até a parte inferior do ventre...”. Mais de um Papa já tinham comprovado que as hordas muçulmanas, que atormentavam a Cristandade, não eram formadas por seres de carne e osso, eram um grande exército de demônios que aumentava quanto mais sofria com os golpes das lanças, das espadas e dos arcabuzes. Hoje em dia, os mísseis fabricam muito mais inimigos que os inimigos das entranhas. Porém, que seria de Deus...

Direito de sonhar

por Eduardo Galeano (fonte revista sem fronteiras) Sonhar não faz parte dos trinta direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948. Mas se não fosse por causa do direito de sonhar, e pela água que dele jorra, a maior parte dos direitos morreria de sede. Deliremos, pois, por um instante. O mundo, que hoje está de pernas para o ar, vai ter de novo os pés no chão: Nas ruas e avenidas, carros vão ser atropelados por cachorros. O ar será puro, sem o veneno dos canos de descarga, e vai existir apenas a contaminação que emana dos medos humanos e das humanas paixões. O povo não será guiado pelos carros, nem programado pelo computador, nem comprado pelo supermercado, nem visto pela TV. A TV vai deixar de ser o mais importante membro da família, para ser tratada como um ferro de passar ou uma máquina de lavar roupas. Vamos trabalhar para viver, em vez de viver para trabalhar. Em nenhum país do mundo os jovens vão ser presos por contestar o serviço militar. Serão encarcerados a...

Editorial .0

Estamos nos separando cada vez mais numa guerra de vaidades onde todos somos inimigos. Na rua sobrevivemos e nas nossas casas dormimos na indiferença. A vida é uma causa esquecida que diariamente nos vence. Temos perdido o hábito de pensar porque sabemos que não vale a pena, pois não acrescentará nenhum metro à nossa existência. No país da alegria a fome faz a sua festa enquanto devora tudo a seu passo. O tempo avisa que no futuro está teu último minuto. Tudo nos indica que devemos abandonar a luta. Morrer em vida, transcorrer sem glória. Mas contra esse universo indiferente que nos cria para deixar-nos morrer, resistimos enquanto temos oxigênio, caminhamos praças, beijamos na boca de amores proibidos, reproduzimos nossos pais em cada filho, respiramos a natureza de uma vez e quando não são suficiente nossos olhos, chamamos algum amigo para que nos ajude a enxergar tanta beleza neste mundo, que contra tudo o que pensamos, ainda é um paraíso. Por alguma razão secreta, até para nós, desc...

O Esquecimiento

(El Olvido) por Carlos Terzaghi (Professor de História Social do Teatro daEscola Municipal de Arte Dramático de Montevidéu) Os atores são essencialmente exibicionistas: vivem de se mostrar, gostar e se vender. Embora ninguém pague, bebem com fruição o licor do aplauso e a aceitação. Parecido com as prostitutas, embora essas meninas estejam mais perto da linha de Grotowski (por esse negócio de pouco público). Ávidos de reconhecimento, aos atores de teatro é negado o beneficio da posteridade. Das muitas desgraças que afligem a esses artistas, existe uma em particular: eles serão esquecidos. Arte volátil a arte do ator; a desfrutam ou sofrem sós os públicos que são contemporâneos a eles. Depois, vagas lembranças, anedotas, difamações (muitas vezes consomem em vida as difamações). Isso é bom. Um ator difamado perdura mais. Talvez as difamações sejam verdadeiras. Talvez. Uma história da literatura dramática de 1.000 páginas pode ser só uma introdução; uma história da arquitetura teatral...

A Criança Perdida

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por O Tigre Não compreendo o ser humano, começando comigo. Por que será que a gente cresce e vira essa coisa tão chata e sem graça que é o adulto? É como o processo contrário da borboleta. Um dia vi num documentário uns mergulhadores que pescavam golfinhos. Era de não acreditar: os caras iam e começavam a brincar com os golfinhos e brincando, brincando, conduziam eles até uma rede que os tirava da água e depois tudo aquilo: facas, sangue e a morte apagando a incompreensão dos bichinhos. Normal, isso é coisa de todo dia, o homem usa a traição, a violência, a mentira e tantas outras “malandragens” como ferramentas de trabalho. Não é brincadeira, é sério, isso é ser adulto, meu filho! Se você não pega, pegam de você! Não é que eu acredite nisso, eu sou contra, aliás, acho ruim, mas você tem que ficar esperto porque ninguém dá nada de graça. O mundo é mau, filho. Todos vão querer tirar vantagem de você. Brincando, brincando, vão querer levá-lo para a rede do mesmo jeito que o golfinho. É.....

Inquietando - Saiu do Casulo

Contramanifesto do obituário poético por João Valadares A poesia é uma substância presente em quase todas as coisas. E é por isso que não pode ser taxada de reduto onde se esconde a sensibilidade. Não! Ela é mais do que isso! Está presente por toda parte, nos hospitais, nos celeiros, nos cemitérios, nos campos de futebol, dentro das geladeiras, na mais repugnante lata de lixo. Em cada mente, em seus diálogos internos, subjetivos, racionais, incoerentes, principalmente nos pensamentos incoerentes. Há aqueles que profetizaram: A poesia morreu! E de fato o mundo está estranho. Parece não haver tempo para palavras e versos, parece que temos muito sangue a derramar, guerras a começar e as namoradas parecem ganhar novos significados: se antes eram versos prontos, hoje não valem uma sílaba. Ainda assim, podíamos nos defender com Antonio Cícero, dizendo que “a poesia é exatamente o que torna o arbitrário necessário”; para ser mais enfático: a poesia é necessária, mesmo depois de morta. Mesmo q...